Só quando aceitou chorar — e viu que a lágrima escorria, enferrujando lentamente o aço — entendeu que desarmar-se não é fraqueza. É o único caminho para sentir de novo o vento, o abraço, a própria pele.
Mas o cavalo parou. O castelo ficou para trás. E ele, tão pesado, não conseguia descer sozinho. o cavaleiro preso na armadura
A viseira baixou sozinha, um dia, sem que ele percebesse. Já não via o brilho do sol, só o reflexo turvo do aço. Já não ouvia a voz dos outros, só o eco do próprio ar que escapava pelas frestas. Só quando aceitou chorar — e viu que
A armadura, que um dia foi escudo, virou cela. Cada placa, uma mentira que ele repetiu até virar verdade: — Estou bem. — Sei o que faço. — Não preciso de ninguém. O castelo ficou para trás
Pois o verdadeiro cativeiro não é o ferro. É a certeza de que, sem ele, não se é ninguém.